Entrevista, Fotografia

Slim Aarons e Michaela Jay

Project details

Projeto

Vários

Ano

1950-2019

Category

Entrevista, Fotografia

Por diversas vezes falámos na fotografia crua e elementar, a que foca um único objecto e nele concentra a mensagem efémera. Hoje discutimos a fotografia ampla e cinematográfica, onde a atenção se dispersa na geometria humana.

 

Slim Aarons ficou conhecido como o fotógrafo do glamour, do luxo, do pós guerra, vendo o seu trabalho representar uma cápsula do tempo icónica referente a um período histórico interessantíssimo. Fê-lo a partir do retrato de uma vida luxuosa e europeísta, capaz de contar uma história a partir do ângulo alto, do foque humano ou do paisagisticamente sedutor. Através desta conjugação de elementos, a fotografia ganha forma e é absolutamente fascinante a conjugação clássica de cores em todos os seus tons (azul, verde, branco, amarelo) neste disparo que é suficiente para descrever o modo de vida de uma particular classe estatal.

Desert House Party (Palm Springs, 1970)

Coming Ashore (Itália, 1973)

Monte Carlo (1975)

Pool At Lake Tahoe (Califórnia 1959)

Transport Buffs (Monte Carlo)

 

Michaela Jay segue a mesma preocupação cinéfila ainda que a represente sobre um espectro maior. A estudante londrina reforça essa mesma preocupação através do uso de câmaras analógicas e de enquadramentos que sejam capazes de fazer jus à nostalgia que o local emana. Relativamente às seguintes fotografias a artista diz-nos “Não acho que (Monte Carlo) tenha mudado muito ao longo dos anos, é um parque de diversões para o glamour do mundo rico e clássico; portanto, usar a câmera da década de 1970 foi acidentalmente a configuração perfeita para fotos no estilo Slim Aarons. (…) Embora não tivesse um plano propriamente traçado, mantive postais vintage em mente e tentei procurar ângulos para os reproduzir em áreas que pareciam congeladas no tempo.

 

 

O registo cinematográfico continua agora para uma vertente oriental: “Estas fotografias foram tiradas num supermercado asiático perto de onde moro. Ao lado de um mar de armazéns cinzentos e sem vida, há este vibrante e chamativo edifício com um telhado de pagode. (…) É interessante que tenhas mencionado Wong Kar-Wai, na verdade, usei o rolo Cinestill (Kodak) porque queria a mesma profundidade de cor e saturação que encontramos no trabalho dele. É realmente fascinante.

 

 

Oscilas entre fotografar um único objeto e fotografar um plano com muita informação; passas de fotografar um gato a um mercado chinês. Gostaria de entender um pouco melhor o motivo por detrás do disparo, o que tentas capturar?

Acho que tiro fotos muito diferentes numa área que conheço bem em comparação com um lugar no qual nunca estive antes. Há curiosidade num novo ambiente e tento sempre passá-la, mas acho que quando tiras fotos do que conheces, reparas em detalhes especias. É tudo tão familiar que qualquer coisa fora do lugar oferece uma oportunidade fotográfica. Muitas vezes, quando tiro fotos dessa maneira, deixo a iluminação e a paleta de cores serem a minha principal inspiração, sendo o assunto de pouca ou nenhuma importância. Gosto de brincar com a composição para focar nos elementos familiares, permitindo que ocupem o centro do palco. Adoto uma abordagem semelhante ao fotografar pessoas, claro que aqui o assunto é extremamente importante, mas tento deixar as fotografias acontecerem organicamente, sem muita direção.

 

 

Thank you Michaela!! https://www.michaelajay.com e https://www.instagram.com/michaelajayw/ 

(Todas as citações foram traduzidas do inglês)

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